Milion dollar question

Ja tinha estado em Cuba.
Lembro-me apenas do turismo de massas de Alemaes de bigode e tanga na praia, ou de canadianos franceses ambosa atirados e adormecidos a torrar ao sol rendidos aos encantos dos mojitos e cubas libres dos hoteis all inclusive de varadero. Uma especie de mistura de Quarteira com a Costa da Caparica em Agosto com um ligeiro trave a Cabo Verde.
Paraiso prometido por 600 dolares.
Desta vez tive a sorte de ir a La Habana.
Toda a gente conhece dos postais as cores viva intervaladas por predios despidos de estuque ainda em tijolo ou as banheiras americanas que foram ficando por aqui e ate as mulatinhas de uma cidade onde o negocio do sexo deve rivalizar com Banguecoque ou Las Vegas.
No entanto e ja da outra vez tinha ficado com essa ideia a verdadeira beleza de Cuba reside no povo.
Nao tenho palavras nem ideias para descrever o que e o regime. Nem o entendo bem. E preciso viver-lo e respirar-lo.
As pessoas recebem do estado 10 a 20 euros por mes. Numa tarde em que peco 4 mojitos, bebo o sustento de uma familia por 15 dias.
Como e que eles vivem? essa e a pergunta do milhao. A resposta e "magia". Em Cuba todos sao magicos e pela economia ser centralizada e nao delegarem responsabilidades em ninguem, porque nao ha "chefes", 75% dos mojitos que bebo e para pagar a magia do barman e da sua familia.
Isto tudo para minha grande desilusao confirma que o regime e uma fantochada e vivem todos uma mentira. No entanto os Cubanos sentem um grande orgulho no Comandante en jefe e no seu martir que erradia carisma Che. E facil de se ficar apanhado por eles.

O que vai acontecer a Cuba quando Fidel morrer? Essa e a pergunta dos 10 milhoes. O que vale e que os Americanos tem dinheiro para a responder.

Bocas del Toro- "Dias Lentos"

Ja tinha ouvido falar de Bocas.
Ha poucos sitios que correspondem as minhas expectativas. Nem melhores nem piores so diferentes. Bocas e um bom exemplo disso. Ao contrario de linguas de areia perdidas no mar das caraibas, o arquipelago de Bocas encontra-se bem perto do continente.
Todas as vilas estao viradas para poente ou seja para terra, e para a grande baia de agua salgada de Chiriqui.
Muitas vezes mais do que o proprio sitio onde estou o que me faz gostar ou nao e o hostel onde fico as pessoas com quem estou e que conheco.
Assim foi, depois do fim do ano passado em puerto viejo de talamanca na fronteira caribenha da costa rica com o panama, onde encontramos o To e o Goncalo, e tambem a Joana e o Costa seguimos todos separados mas com o intuito de nos encontrar-mos em bocas.
Ficamos instalados no melhor hostel onde ja tive.
Construido por cima da agua do outro lado do canal de agua com cerca de 200 metros de largura de agua azul turquesa e fundo de areia que separa a vola de bocas de careneros, ilha com o melhor pico de surf das redondezas.
O aqua lounge tem dois dormitorios com 9 camas cada um em que a porta dos quartos dao para um alpendre cerca de meio metro acima da agua do mar com um mesa e meia duzia de hammocks.
O hostel e praticamente so frequentado por surfistas que preferem a calma deste lado a agitacao turistica do outro lado.
Todos os transportes sao feitos de barco.
1 usd para atravessar o canal, 2,5 para a ilha de bastimentos, e 2 tambem para o pico no meio do mar.
Ali perto nao existe nenhum beach break por isso e mesmo obrigatorio apanhar o barco para o meio das ondas.
Os pescadores funcionam como um cartel por isso nao e possivel regatear os precos.
No hostel para alem de nos portugueses (a joana e o duarte ja seguiram para o peru), estao 3 zucas cariocas, que dao uma alegria especial ao lugar com a sua festa e aquela ladainha que e a sua lingua.
Todos os dias surfam voltam de barco pescam com um arpao meia duzia de peixes e voltam para surfar.
Ha ainda mais 3 americanos um da california outro do texas e arizona.
A noite ou vamos dar uma volta a vila pelos bare ou limitamo-nos a jogar black jack e ler.
A proposito ja acabei o rio das flores. Que fraca personagem.
Foram 7 dias passados a olhar para a agua a baloicar nas redes esperando recuperar a vontade de viajar!

Montezuma, Natal

A vontade de actualizar o blog vai sendo cada vez mais pequena.
E tambem dificil de decidir e filtrar o que escrever aqui.
Muitas vezes sinto-me frustrado por poder apenas passar pequenas amostras do que sao os meus dias.
O Natal foi passado muito bem em Montezuma uma vila costeira na peninsula de Nicoya no Norte da Costa Rica. A dona do hostel uma alema ali exilada ha 20 anos, acabou por partilhar a nossa ceia de Natal juntamente com alguns amigos seus.
No dia 24 o sol brilhava como ja nao o via ha muito tempo. Passamos o dia na praia.
A sala era constituida por uma americana-koreana, um havaiano, a Majken, o Stefan, o Miguel, eu e o Fred e ainda mais um canadiano e o nosso amigo judeu californiano Micah.
Dia 26 seguimos caminho depois de alugar um jipe para o corcovado e drake bay.

Peñas Blancas, 23 de Dezembro

Depois da atribulada passagem da aduana em longas filas de espera e indicacoes contrarias dos guardas fronteiricos e onde fizemos jus a nossa boa nacionalidade, confirmada pelo norte Europeus e o gringo tentando furar, passar, enganar e subornar todas as filas e pessoas que iamos encontrando nos longos 3 km e nas 4 horas que la passamos, devido a uma discussao entre um camionista e um condutor de autocarro onde nenhum queria recuar um metro que fosse para facilitar a passagem do outro e de toda a fila ja de km atras de um e do outro, depois do ferry entre punta arenas e a peninsula de Nicoya e depois ainda do taxi que por caminhos sinuosos ligam as pequenas vilas pacificas da peninsula chegamos finalmente a Montezuma sitio onde passaremos o Natal.

Isla Ometepe, 22 de Dezembro

E oficial, estamos mesmo a viajar juntos com um casal composto por um Sueco e uma Dinamarquesa que conheci na fronteira das Honduras com a Nicaragua e passados 4 dias voltei a encontrar ja na playa Madero.
Depois de uma noite inteira a jogar poker e por termos o roteiro da viagem em comum decidimos ir passar os ultimos dia antes do Natal a isla Ometepe, situada no meio do lago Nicaragua.
Ficamos hospedados num simpatico hotel com um pateo interior mesmo no meio da vila onde chega o ferry que faz a travessia entre S. jorge no continente e esta "cidade" do Moyogalpa.
A ilha esta practicamente no seu estado selvagem, conhece pouco turismo, e os seus habitantes estao dispersos por pequenas vilas separadas pela sua densa vegetacao.
Dois vulcoes ( um ainda activo) que existem no centro do lago, ao expelirem a lava, criaram entre eles uma passagem entre eles e agora ambos formam apenas uma ilha.
Optamos por alugar duas motas, e assim partir a descoberta dos seus lagos, cascatas, rios e vulcoes, sempre claro acompanhados pela Majken e o Steven.
Conhecemos tambem um americano que connosco jantou todos os dias e com quem partilhamos um quarto, e por no fim destes dois dias estarmos a disfrutar da companhia uns dos outros e dado o mau tempo na costa caribe, onde inicialmente tinhamos previsto passar o Natal, concordamos todos seguir em direccao a Costa Rica para la passarmos o Natal juntos.

Tortuga Bay

O Marcus dirigi-se a praia com um balde e uma pa.
Nao posso acreditar no que vejo...
Uma tartaruga verde a desovar a minha frente.
Rodeamo-la tentando nao incomoda-la. Cem metros mais a frente na praia estao 3 vultos e um cao logo identificados pelo Marcus como cacadores de ovos.
Marcus dirige-se a eles e "explica-lhes" que nao vao puder ficar com os ovos de maneira nenhuma.
Em vez disso e num instante vai cozinhar 3 burritos para os cacadores e pede-nos que fiquemoa a vigiar a tartaruga.
O processo e demorado e lento. A tartaruga parece exausta depois de enterrar os ovos a uma profundidade de 30 ou 40 cm.
Comecamos a desenterrar os ovos, o plano e voltar a enterra-los no pateo entre as tendas no meio do Matilda. Faz sempre isso porque ai sabe que os pescadores nao sondam a areia espetantando ferros para ver se picam algo.
Acabamos por ter de fazer um trato com os pescadores pois nao encontramos os ovos. No fim estavam apenas a 30 cm do sitio onde estavamos a cavar. Os locais ficam com metade dos ovos cerca de 40 por terem ajudado a encontra-los.
Uma coisa que me espantou e que os ovos sao incrivelmente baratos, mesmo mais que as bananas. Mesmo assim ha pessoas que vivem disso.
Tivemos uma sorte unica por ver naturalmente e intervir num processo que qualquer turista na costa rica paga mais de 50 euros para ver de longe.

Playa Madero Nicaragua del Sur

-Puto era mesmo isto que andavamos a procura a dias diz-me o Miguel com um sorriso na cara entre duas carreirinhas nas ondas da playa Madero.
Finalmente uma praia semi-deserta com areia com fartura rodeada de selva povoada por meia duzia de surfistas que tudo o que fazem e surfar de dia e embubadarem-se de morte a noite.
Matilda's o hostel e em cima da praia dissimulado pela selva.
Eu e o Fred ficamos a dormir numas construcoes parecidas com tendas mas feitas de cimento.
O dia e passado a tentar aprender a surfar.
Com uma long-board e uma prancha que um americano residente de 17 anos nos empresta, ainda nos pomos de pe durante alguns segundos. O tempo nao esta perfeito mas a temperatura e altissima.
A noite conhecemos Marcus, um canadiano com ar de motoqueiro, que ha 7 anos passa ali naquela praia a temporada de inverno e regressa de vez em quando no verao ao Canada.
E uma personagem unica. Fala aos gritos e e um pouco agressivo, contador de historias eximio, convida-nos para tomar um copo no seu bar improvisado e construido por ele.
Apesar de me dar ideia de nao precisar muito de dinheiro por nao o gastar e por talvez ter dado um golpe forte no Canada ( repete que ja foi um homem muito mau, e ja teve preso- eu acredito) faz tudo, le sinas, aluga pranchas, ensina a pescar, filma surfistas, da aulas de surf etc.
Os seus servicos estao anunciados numa prancha de surf partida a porta da tenda onde vive.
Claro que nao acredita em nada daquilo que faz, e fa-lo mais pelo gozo e brincadeira visto ate pela maneira pomposa como descreve os seus servicos com um sorriso na cara.
Nessa noite a ultima, a hora do jantar encontramos um casal Sueco e Dinamarques que partilharam ha dias um autocarro connosco senao me engano ate Managua.
Jantamos, jogamos poker e ficamos amigos.